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Pé Diabético: O Que É, Fases e Como Prevenir Complicações

Profissional de saúde examinando o pé de um paciente com cuidado, em consultório

Por:Instituto Micheline Sarquis
Ferida Diabética

17

jul 2026

Pé Diabético: O Que É, Fases e Como Prevenir Complicações

Pé diabético é o nome dado a um conjunto de alterações no pé — como perda de sensibilidade, feridas de difícil cicatrização e infecções — causadas pelo diabetes mal controlado ao longo do tempo. Ele acontece principalmente pela combinação de dois fatores: a neuropatia periférica, que reduz a sensibilidade do pé, e a má circulação sanguínea, que dificulta a cicatrização.

Estudos publicados no New England Journal of Medicine estimam que entre 19% e 34% das pessoas com diabetes desenvolvem uma úlcera no pé ao longo da vida [1]. Quando não identificado a tempo, pode evoluir para úlceras, infecções graves e, em casos extremos, amputação.

Neste artigo você vai entender por que o pé diabético acontece, quais são suas fases, como reconhecer os primeiros sinais e o que fazer, no dia a dia, para preveni-lo.

O que é o pé diabético?

O pé diabético é uma complicação do diabetes que atinge a pele, os nervos e a circulação dos pés, tornando-os mais vulneráveis a lesões que a pessoa muitas vezes nem percebe que existem. Isso acontece porque o excesso de glicose no sangue, mantido por muito tempo, danifica progressivamente os nervos periféricos e os vasos sanguíneos que irrigam os membros inferiores.

Por isso, um simples calo, uma bolha de sapato apertado ou um corte pequeno pode se transformar em uma ferida grave sem que a pessoa sinta dor — justamente porque a sensibilidade de proteção está reduzida.

Quais são as causas do pé diabético?

O pé diabético tem duas causas centrais que costumam atuar juntas: a neuropatia diabética, que compromete os nervos e reduz a sensação de dor, calor e pressão no pé, e a doença arterial periférica, que diminui o fluxo de sangue e prejudica a cicatrização. Diabetes mal controlado por muitos anos é o principal fator de risco para ambas.

A Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) reconhece um conjunto mais amplo de fatores clínicos associados ao risco de ulceração, que orientam o rastreio de quem precisa de acompanhamento mais frequente [2]. Entre eles:

  1. Tempo de diagnóstico do diabetes — quanto mais anos de doença, maior a chance de neuropatia
  2. Glicemia mal controlada — picos frequentes de glicose aceleram o dano aos nervos e vasos
  3. Uso de calçados inadequados — sapatos apertados, com costuras internas ou sem espaço para os dedos
  4. Deformidades no pé — como joanetes, dedos em garra ou alterações no formato do pé
  5. Histórico de úlceras ou amputação prévia
  6. Tabagismo, que agrava a má circulação
  7. Dificuldade de acesso a cuidado podológico regular

Quais são as fases do pé diabético?

As fases do pé diabético variam desde um pé de risco, ainda sem lesão visível, até estágios com infecção profunda ou comprometimento ósseo. O International Working Group on the Diabetic Foot (IWGDF), em sua atualização de 2023, recomenda o uso de sistemas de classificação clínica validados — entre eles a clássica classificação de Wagner — para orientar a conduta de acordo com a profundidade da lesão e a presença de infecção ou de comprometimento da circulação [3].

De forma simplificada, é possível pensar em três grandes momentos:

  • Pé de risco: ainda sem ferida, mas já com perda de sensibilidade, calosidades, ressecamento excessivo da pele ou pequenas fissuras. É a fase em que a prevenção tem mais impacto.
  • Úlcera no pé diabético: ferida aberta, geralmente na planta do pé ou em pontos de pressão, que demora para cicatrizar e pode não doer — o que atrasa a busca por tratamento.
  • Infecção e complicações graves: quando a ferida evolui para infecção de tecidos moles, osteomielite (infecção óssea) ou perda de circulação importante, aumentando o risco de amputação se não for tratada rapidamente.

Reconhecer em qual fase o pé está é o que define, na prática, se o cuidado pode ser feito com orientações simples de prevenção ou se exige avaliação especializada urgente.

Quais os primeiros sinais de alerta do pé diabético?

Pessoa examinando a sola do próprio pé em casa, como parte do autocuidado diário

Os primeiros sinais do pé diabético costumam ser sutis: formigamento, dormência ou sensação de “queimação” nos pés, pele muito seca ou com rachaduras, calos que aumentam de tamanho e pequenas fissuras entre os dedos que não cicatrizam. Como a sensibilidade está reduzida, muitas dessas alterações passam despercebidas até evoluírem — por isso a Diretriz da SBD recomenda o exame regular do pé como uma das intervenções centrais de prevenção, e não apenas uma reação a sintomas já percebidos [2].

Vale procurar avaliação profissional quando aparecer:

  • Perda de sensibilidade ao toque, calor ou dor
  • Alteração de cor da pele (avermelhada, arroxeada ou muito pálida)
  • Inchaço, calor local ou secreção com odor
  • Qualquer ferida, corte ou bolha que não cicatriza em poucos dias
  • Unhas encravadas, engrossadas ou com sinais de infecção

Como é feito o tratamento do pé diabético?

O tratamento do pé diabético depende diretamente da fase em que a lesão se encontra e precisa ser conduzido por um profissional especializado, já que decisões erradas — como o uso de curativo inadequado ou o adiamento da avaliação — podem agravar a ferida rapidamente. Em geral, o cuidado envolve controle da glicemia em conjunto com a equipe médica, avaliação da circulação, limpeza e curativo adequado da lesão, uso de calçados ou órteses que aliviem a pressão sobre a área afetada e, em casos mais graves, intervenção cirúrgica.

Coberturas modernas, técnicas de desbridamento (remoção do tecido não viável) e o acompanhamento próximo da evolução da ferida são o que, na prática, fazem a diferença entre uma cicatrização bem-sucedida e a progressão para complicações mais sérias. Quando há sinais de infecção, a diretriz internacional mais recente sobre o tema (IWGDF/IDSA 2023) orienta a avaliação da gravidade do quadro e, em casos com sinais sistêmicos ou suspeita de comprometimento ósseo, a necessidade de exames complementares e, eventualmente, internação [4].

Como prevenir o pé diabético no dia a dia?

Pessoa experimentando um calçado fechado e confortável como parte da prevenção do pé diabético

A prevenção do pé diabético se concentra em examinar os pés todos os dias, manter a glicemia controlada e evitar qualquer situação que exponha o pé a lesões despercebidas. Pequenos hábitos, mantidos com constância, reduzem de forma significativa o risco de uma úlcera se instalar. O Ministério da Saúde orienta que o cuidado com os pés integre a rotina de acompanhamento de toda pessoa com diabetes na Atenção Básica [5], e a Diretriz da SBD reforça que a combinação entre identificação do pé em risco, exame regular, orientação ao paciente, uso de calçados adequados e controle dos fatores de risco é o que, de fato, reduz a incidência de novas úlceras [2].

Alguns cuidados essenciais:

  1. Examine os pés diariamente, incluindo a sola e a região entre os dedos, procurando bolhas, cortes, rachaduras ou mudanças de cor
  2. Nunca ande descalço, nem dentro nem fora de casa
  3. Corte as unhas em linha reta, sem arredondar os cantos, para evitar unhas encravadas
  4. Use calçados fechados, confortáveis e sem costuras internas, e sempre confira o interior do sapato antes de calçá-lo, em busca de algum corpo estranho
  5. Hidrate a pele, mas evite passar hidratante entre os dedos, região que deve ficar mais seca para não favorecer fungos
  6. Evite fontes de calor direto nos pés, como bolsas de água quente, já que a sensibilidade reduzida pode causar queimaduras sem que a pessoa perceba
  7. Mantenha o acompanhamento médico do diabetes em dia, controlando a glicemia como orientado pela equipe de saúde
  8. Procure avaliação profissional regular, mesmo sem sintomas, para identificar sinais de risco antes que se tornem uma ferida

Quando procurar um especialista em pé diabético?

O momento certo de procurar um especialista é assim que surgir qualquer alteração no pé — sensibilidade reduzida, calo persistente, rachadura ou ferida — mesmo que pareça pequena e não doa. No pé diabético, a ausência de dor não significa ausência de gravidade, e o tempo entre o aparecimento da lesão e o início do tratamento é um dos fatores que mais influencia o resultado final. Pesquisas publicadas na revista Diabetes Care mostram que, mesmo após a cicatrização, o risco de uma nova úlcera aparecer é considerável ao longo dos anos seguintes — reforçando que o cuidado com o pé diabético funciona melhor como acompanhamento contínuo do que como tratamento pontual de uma lesão isolada [6].

O Instituto Micheline Sarquis é especializado no tratamento de feridas crônicas, incluindo úlceras do pé diabético, com uma abordagem que cuida da lesão sem perder de vista a pessoa por trás dela — considerando também o contexto emocional e o suporte familiar envolvidos no processo de cicatrização. Se você ou alguém da sua família convive com diabetes e notou alguma alteração nos pés, conheça o trabalho do Instituto Micheline Sarquis e agende uma avaliação.

Artigo escrito por Dra. Micheline Garcia Amorim Sarquis — Estomaterapeuta (ET) pela UFMG, especialista em Tratamento de Feridas Crônicas, Estomias e Incontinências, Membro Pleno da Sociedade Brasileira de Estomaterapia (SOBEST) e do World Council of Enterostomal Therapists (WCET), com mais de 25 anos de experiência. Diretora Presidente do Instituto Micheline Sarquis. Registro profissional: COREN-MG 86508

Publicado em: [17/07/2026]

Última atualização: [17/07/2026]

Aviso importante: este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não substitui uma consulta médica ou avaliação com profissional especializado. Diante de qualquer sinal de ferida, alteração de sensibilidade ou de cor no pé, procure atendimento profissional o quanto antes.

Referências

  1. Armstrong DG, Boulton AJM, Bus SA. Diabetic Foot Ulcers and Their Recurrence. The New England Journal of Medicine. 2017;376(24):2367-2375. Acessar fonte
  2. Sacco ICN, Lucovéis MLS, Thuler SR, Parisi MCR. Diagnóstico e Prevenção de Úlceras no Pé Diabético. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2023. DOI: 10.29327/5412848.2024-11. Acessar fonte
  3. Monteiro-Soares M, Hamilton EJ, Russell DA, et al. Guidelines on the Classification of Foot Ulcers in People with Diabetes (IWGDF 2023 update). Diabetes/Metabolism Research and Reviews. 2023. Acessar fonte
  4. Senneville É, Albalawi Z, van Asten SA, et al. Guidelines on the Diagnosis and Treatment of Foot Infection in Persons with Diabetes (IWGDF/IDSA 2023). Clinical Infectious Diseases. 2023. Acessar fonte
  5. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Estratégias para o Cuidado da Pessoa com Doença Crônica: Diabetes Mellitus. Cadernos de Atenção Básica, nº 36. Brasília, 2013. Acessar fonte
  6. McDermott K, Fang M, Boulton AJM, Selvin E, Hicks CW. Etiology, Epidemiology, and Disparities in the Burden of Diabetic Foot Ulcers. Diabetes Care. 2023;46(1):209-221. Acessar fonte

 


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