Pé diabético é o nome dado a um conjunto de alterações no pé — como perda de sensibilidade, feridas de difícil cicatrização e infecções — causadas pelo diabetes mal controlado ao longo do tempo. Ele acontece principalmente pela combinação de dois fatores: a neuropatia periférica, que reduz a sensibilidade do pé, e a má circulação sanguínea, que dificulta a cicatrização.
Estudos publicados no New England Journal of Medicine estimam que entre 19% e 34% das pessoas com diabetes desenvolvem uma úlcera no pé ao longo da vida [1]. Quando não identificado a tempo, pode evoluir para úlceras, infecções graves e, em casos extremos, amputação.
Neste artigo você vai entender por que o pé diabético acontece, quais são suas fases, como reconhecer os primeiros sinais e o que fazer, no dia a dia, para preveni-lo.
O pé diabético é uma complicação do diabetes que atinge a pele, os nervos e a circulação dos pés, tornando-os mais vulneráveis a lesões que a pessoa muitas vezes nem percebe que existem. Isso acontece porque o excesso de glicose no sangue, mantido por muito tempo, danifica progressivamente os nervos periféricos e os vasos sanguíneos que irrigam os membros inferiores.
Por isso, um simples calo, uma bolha de sapato apertado ou um corte pequeno pode se transformar em uma ferida grave sem que a pessoa sinta dor — justamente porque a sensibilidade de proteção está reduzida.
O pé diabético tem duas causas centrais que costumam atuar juntas: a neuropatia diabética, que compromete os nervos e reduz a sensação de dor, calor e pressão no pé, e a doença arterial periférica, que diminui o fluxo de sangue e prejudica a cicatrização. Diabetes mal controlado por muitos anos é o principal fator de risco para ambas.
A Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) reconhece um conjunto mais amplo de fatores clínicos associados ao risco de ulceração, que orientam o rastreio de quem precisa de acompanhamento mais frequente [2]. Entre eles:
As fases do pé diabético variam desde um pé de risco, ainda sem lesão visível, até estágios com infecção profunda ou comprometimento ósseo. O International Working Group on the Diabetic Foot (IWGDF), em sua atualização de 2023, recomenda o uso de sistemas de classificação clínica validados — entre eles a clássica classificação de Wagner — para orientar a conduta de acordo com a profundidade da lesão e a presença de infecção ou de comprometimento da circulação [3].
De forma simplificada, é possível pensar em três grandes momentos:
Reconhecer em qual fase o pé está é o que define, na prática, se o cuidado pode ser feito com orientações simples de prevenção ou se exige avaliação especializada urgente.

Os primeiros sinais do pé diabético costumam ser sutis: formigamento, dormência ou sensação de “queimação” nos pés, pele muito seca ou com rachaduras, calos que aumentam de tamanho e pequenas fissuras entre os dedos que não cicatrizam. Como a sensibilidade está reduzida, muitas dessas alterações passam despercebidas até evoluírem — por isso a Diretriz da SBD recomenda o exame regular do pé como uma das intervenções centrais de prevenção, e não apenas uma reação a sintomas já percebidos [2].
Vale procurar avaliação profissional quando aparecer:
O tratamento do pé diabético depende diretamente da fase em que a lesão se encontra e precisa ser conduzido por um profissional especializado, já que decisões erradas — como o uso de curativo inadequado ou o adiamento da avaliação — podem agravar a ferida rapidamente. Em geral, o cuidado envolve controle da glicemia em conjunto com a equipe médica, avaliação da circulação, limpeza e curativo adequado da lesão, uso de calçados ou órteses que aliviem a pressão sobre a área afetada e, em casos mais graves, intervenção cirúrgica.
Coberturas modernas, técnicas de desbridamento (remoção do tecido não viável) e o acompanhamento próximo da evolução da ferida são o que, na prática, fazem a diferença entre uma cicatrização bem-sucedida e a progressão para complicações mais sérias. Quando há sinais de infecção, a diretriz internacional mais recente sobre o tema (IWGDF/IDSA 2023) orienta a avaliação da gravidade do quadro e, em casos com sinais sistêmicos ou suspeita de comprometimento ósseo, a necessidade de exames complementares e, eventualmente, internação [4].

A prevenção do pé diabético se concentra em examinar os pés todos os dias, manter a glicemia controlada e evitar qualquer situação que exponha o pé a lesões despercebidas. Pequenos hábitos, mantidos com constância, reduzem de forma significativa o risco de uma úlcera se instalar. O Ministério da Saúde orienta que o cuidado com os pés integre a rotina de acompanhamento de toda pessoa com diabetes na Atenção Básica [5], e a Diretriz da SBD reforça que a combinação entre identificação do pé em risco, exame regular, orientação ao paciente, uso de calçados adequados e controle dos fatores de risco é o que, de fato, reduz a incidência de novas úlceras [2].
Alguns cuidados essenciais:
O momento certo de procurar um especialista é assim que surgir qualquer alteração no pé — sensibilidade reduzida, calo persistente, rachadura ou ferida — mesmo que pareça pequena e não doa. No pé diabético, a ausência de dor não significa ausência de gravidade, e o tempo entre o aparecimento da lesão e o início do tratamento é um dos fatores que mais influencia o resultado final. Pesquisas publicadas na revista Diabetes Care mostram que, mesmo após a cicatrização, o risco de uma nova úlcera aparecer é considerável ao longo dos anos seguintes — reforçando que o cuidado com o pé diabético funciona melhor como acompanhamento contínuo do que como tratamento pontual de uma lesão isolada [6].
O Instituto Micheline Sarquis é especializado no tratamento de feridas crônicas, incluindo úlceras do pé diabético, com uma abordagem que cuida da lesão sem perder de vista a pessoa por trás dela — considerando também o contexto emocional e o suporte familiar envolvidos no processo de cicatrização. Se você ou alguém da sua família convive com diabetes e notou alguma alteração nos pés, conheça o trabalho do Instituto Micheline Sarquis e agende uma avaliação.
Artigo escrito por Dra. Micheline Garcia Amorim Sarquis — Estomaterapeuta (ET) pela UFMG, especialista em Tratamento de Feridas Crônicas, Estomias e Incontinências, Membro Pleno da Sociedade Brasileira de Estomaterapia (SOBEST) e do World Council of Enterostomal Therapists (WCET), com mais de 25 anos de experiência. Diretora Presidente do Instituto Micheline Sarquis. Registro profissional: COREN-MG 86508
Publicado em: [17/07/2026]
Última atualização: [17/07/2026]
Aviso importante: este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não substitui uma consulta médica ou avaliação com profissional especializado. Diante de qualquer sinal de ferida, alteração de sensibilidade ou de cor no pé, procure atendimento profissional o quanto antes.